domingo, 22 de janeiro de 2012

Existe Democracia onde de certa forma há censura?




O Jornalismo é uma disciplina com uma gramática própria e deve-se orientar por um conjunto de valores. O mais importante é seguir a actualidade em nome do interesse público e, se vemos o jornalismo português dominado pelas fontes organizadas, ficamos com a percepção de que ele não está orientado pelo interesse público mas pelo interesse dos atores localizados. São sempre os mesmos a falar e os jornais, em vez de se assumirem como espaços democráticos, de debates vivos, palpitantes e próximos das realidades sociais, tornam-se espaços de perversão, as vezes de manipulação. Não diversificar as fontes e os actores sociais é claramente uma forma de censura. Na verdade, o que há em Portugal, é um excesso de dependência do beat político, é quase um colete -de-forças, quase um clientelismo. Junta isso a crise econômica que afecta os jornais, que se traduz numa escassez de recursos ao serviço da reportagem, sem a qual não há investigação, demanda, denúncia, e o jornalismo deixa de cumprir uma de suas funções sociais que é o apontar as más práticas. O colocar no jornalismo o serviço de transformação positiva do mundo, perdeu-se muito por incapacidade de organização e também de debilidade econômica.
É indiscutível que aqui em Portugal existem fortes condicionamentos a Liberdade de Expressão do Jornalista, por motivos inclusive relacionados com a própria concorrência- as agendas tornam-se praticamente iguais porque todos querem dar a mesma notícia, controle social.
Hoje a censura se faz por outra via dentro das redacções. Antes a Censura era uma realidade a qual não se fugia. Hoje, desde a escolha das direcções e dos responsáveis editoriais, há pessoas que por motivos pessoais, ou polítcos não têm acesso a esses cargos , mas também quer na escolha das temáticas, já que umas são privilegiadas, outras escondidas. Os jornalistas estão reféns das agendas, e das pessoas que os condicionaram a falar sempre das mesmas coisas e nos mesmos tons, que quando abrirem as janelas da redacção, vão perceber que já não está lá ninguém, porque as pessoas, entretanto desertaram para outros meios disponíveis, onde discute as coisas mais importantes.
Fazer um telejornal de uma hora e meia e ter praticamente dois temas centrais como muitas vezes acontece por aqui, não é fazer informação, é entreter pessoas e representa uma erosão do jornalismo enquanto discurso. O risco dessa censura não é tanto o de condicionar pessoas e as manipular mas o de desinteressar e deixar fugir comprometendo a sobrevivência do jornalismo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Xenofobia e falta de Liberdade de Expressão. Cidadã portuguesa ameaça jornalistas brasileiros



Bom começo esse mais uma vez indignada com o que ainda acontece em Portugal. Ontem eu e meu namorado, o fotógrafo Bruno Herculano, estávamos passeando pelo Benfica, bairro onde a gente mora, quando de repente, aconteceu um acidente no trânsito. Um jovem de 15 anos que vinha da escola, saiu correndo em direcção a paragem de ônibus e foi atropelado pelo carro do INEM ( Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o organismo do Ministério da Saúde responsável por coordenar o funcionamento, no território de Portugal Continental, de um Sistema Integrado de Emergência Médica, de forma a garantir aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a pronta e correcta prestação de cuidados de saúde). Ele,o Bruno Herculano, como todo profissional, apesar de estar de folga, estava com a sua máquina fotográfica na mão, e mais que depressa, a retirou da mochila para registar o momento. O nome disso chama-se: sangue na veia, estar no local certo na hora certa, ou posso ainda definir como: estar compromissado com a informação. E como todo mundo sabe, informação acontece a toda hora, é preciso de estar lá, mostrar, ver a fundo o que de facto aconteceu. Um bom fotógrafo, ou um bom jornalista, daqueles que amam a profissão, não se contentam apenas em estar dentro da Redacção. Querem fazer suas matérias e fotos "in loco", ou seja, não adianta apenas falar sobre o acontecimento em si. Se existem imagens reais, elas precisam ser mostradas. .
Quando ele começou a fotografar, o motorista do carro do Inem pediu que ele se retirasse. Então, entrei na conversa e disse que a gente não iria sair, porque estávamos fazendo nosso trabalho, e que se ele quisesse nossa identificação, ela estava ali pronta a ser mostrada. O motorista do veículo ficou nervoso, e para ele até dou um desconto, afinal, foi quem atropelou o jovem. O que mais me impressionou, foi o fato de uma senhora portuguesa no meio da multidão, gritar assim: "vocês são carniceiros, volta para o teu pais. Vocês devem trabalhar na Rede Record que só mostram sangue". Bom, ai eu não me calei. Disse a senhora, olha estamos fazendo o nosso trabalho. O rapaz foi atropelado, ele precisa de cuidados médicos, e o INEM está prestando todo o cuidado, fazendo sua obrigação, e nós estamos a registar toda essa situação. Não somos carniceiros, nem a Rede Record é, ao contrário, tudo precisa ser mostrado. Poderia ter sido a senhora a sofrer esse acidente. E perguntei: a senhora trabalha em quê? A mulher super alterada disse: "não é da sua conta, não te interessa". Então respondi: olha, se não me interessa, saiba a senhora que amanha mesmo essas imagens estarão nos jornais, e quem vaio comprar será a senhora, e muita gente da população, então, o nosso trabalho está sendo feito. Amanha quando a senhora comprar o jornal vai se lembrar da nossa cara.
Ai eu digo: estamos diante de duas situações extremamente constrangedoras:

1) XENOFOBIA que significa: o medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país.
A xenofobia pode manifestar-se de várias formas, envolvendo as relações e percepções em relação a outro ou a grupos, incluindo o medo de perda de identidade, suspeição acerca de suas actividades, agressão e desejo de eliminar a sua presença para assegurar uma suposta pureza. Xenofobia pode também assumir a forma de uma "exaltação acrítica de outra cultura" à qual se atribui "uma qualidade irreal, estereotipada e exótica.

2) Falta da Liberdade de Expressão que significa: um dos maiores problemas da imprensa mundial é a falta de liberdade de expressão e a censura do jornalismo em alguns países. Geralmente, a falta de Liberdade de Expressão pode ser encontrada em países onde há uma ditadura, onde a imprensa local deve obedecer sempre as ordens do Governo, ou então, é censurada por tempo indeterminado. Em nações onde há ditadura, são poucas as organizações que sempre obedecem os ditadores. em Portugal, de acordo com a COnstituição desse país, a Liberdade de Expressão é uma realidade e está retratada no artigo 38 quando se lê:

Artigo 38.º
Liberdade de imprensa e meios de comunicação social

1. É garantida a liberdade de imprensa.

2. A liberdade de imprensa implica:

a) A liberdade de expressão e criação dos jornalistas e colaboradores, bem como a intervenção dos primeiros na orientação editorial dos respectivos órgãos de comunicação social, salvo quando tiverem natureza doutrinária ou confessional;
b) O direito dos jornalistas, nos termos da lei, ao acesso às fontes de informação e à protecção da independência e do sigilo profissionais, bem como o direito de elegerem conselhos de redacção;
c) O direito de fundação de jornais e de quaisquer outras publicações, independentemente de autorização administrativa, caução ou habilitação prévias.

3. A lei assegura, com carácter genérico, a divulgação da titularidade e dos meios de financiamento dos órgãos de comunicação social.

4. O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas.


5. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão.

6. A estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos, bem como assegurar a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião.


No entanto, as pessoas comuns, ou seja o cidadão, e até o próprio motorista do INEM pareciam não saber nada sobre esse facto, a senhora estava revoltada, parecia não saber que estávamos no nosso DIREITO (tanto Social, como Trabalhista), ou seja, qualquer cidadão comum poderia estar a fazer aquelas fotografias, e no nosso caso, não estávamos a fazer as fotos por satisfação própria, e sim para passar as informações aos veículos de comunicação, para isso que trabalhamos. Quero dizer, tanto a senhora, como o motorista foram infelizes em dois aspectos, o primeiro por julgar que não tínhamos o direito de ali estar, o segundo que por sermos brasileiros, ela mandou-nos voltar para o nosso país como se fôssemos pessoas inferiories. Eles cometeram dois erros gravíssimos como já citei acima.
Na verdade tenho pena, porque sei que apesar de estarmos no Velho Continente, as pessoas aqui ainda não estão preparadas para conviver com o diferente. Por mais cultura que possam demonstrar, ainda não tomaram consciência de que todos somos iguais perante a Lei, independente do Credo, Raça, ou Nacionalidade. As pessoas por aqui não sabem o que quer dizer Liberdade de Expressão. Elas se julgam livres, no entanto têm medo de se mostrar, de falar o que realmente pensam. Elas mantêm uma aparência, daí, talvez, a frieza com que muitos agem quando se vêem diante de uma situação como a que estávamos ontem.
O que me deixou feliz, foi o facto de ao chegarmos em casa, o Correio da Manhã (periódico de grande circulação em Portugal) se interessar pela matéria e publicá-la hoje tanto em seu site, como no impresso. Isso me faz ter a certeza de que apesar de não sermos portugueses, estávamos a cumprir o nosso papel que é o de darmos a informação precisa, levar a notícia a todo o mundo, contribuir com a divulgação da Educação no trânsito, afinal, se o rapaz do início do texto tivesse atravessado na faixa de pedestre, com toda certeza ele teria uma menor probabilidade de sofrer um acidente.
Penso que hoje de manhã, a senhora que disse que deveríamos voltar para o Brasil, deve ter lido o jornal Correio da Manhã e se lembrado bem da nossa cara, deve ter sentido vergonha do papel que fez.
Eu e o Bruno fizemos o nosso papel, e fizemos bem feito.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Preconceito. você já foi vítima?

Ética é a área da filosofia que estuda o comportamento humano. Portanto, um problema ético de grande relevância e interesse é o preconceito, uma vez que se trata de um comportamento que cria vários problemas práticos para o ser humano.
A resposta que se dará a essa questão aqui tem como base as ideias do filósofo e jurista italiano Norberto Bobbio, cujas posições éticas e políticas costumam ser acolhidas pelos mais diferentes grupos, sejam de direita ou esquerda, por exemplo. Ao analisar o preconceito, Bobbio deixa claro que ele se constitui de uma opinião errônea (ou um conjunto de opiniões) que é aceita passivamente, sem passar pelo crivo do raciocínio, da razão.

O estereótipo
Em geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, um estereótipo, do tipo "todos os alemães são prepotentes", "todos os americanos são arrogantes", "todos os ingleses são frios", "todos os baianos são preguiçosos", "todos os paulistas são metidos", etc. Fica assim evidente que, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro.
Entretanto, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença, não do conhecimento, ou seja ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio. Daí a dificuldade de combatê-lo. Ou, nas palavras do filósofo italiano, "precisamente por não ser corrigível pelo raciocínio ou por ser menos facilmente corrigível, o preconceito é um erro mais tenaz e socialmente perigoso".

Ao apresentar a base irracional do preconceito, Bobbio levanta a hipótese de que a crença na veracidade de uma opinião falsa só se torna possível por que essa opinião tem uma razão prática: ela corresponde aos desejos, às paixões, ela serve aos interesses de quem a expressa.

Preconceitos coletivos
Bobbio distingue os preconceitos individuais, como as superstições, por exemplo, dos coletivos. Fixa sua atenção nos nestes últimos, porque os primeiros são inócuos, não produzem resultados graves. Ao contrário do que ocorre quando um grupo social apresenta um juízo de valor negativo sobre outro grupo social. Dizer que os homens são diferentes entre si é um juízo de fato, mas, a partir disso, não existem elementos que fundamente juízos de valor que considerem um grupo de homens superior a outro. É precisamente essa diferenciação valorativa que costuma servir de base à discriminação, à exploração, à escravização ou à eliminação de um grupo social por outro.

Racismo no Brasil
O tipo de preconceito mais frequente em nosso país é o racial. O racismo no Brasil fica mais evidente quando o brasileiro identifica o negro com seu papel social. A constatação, obtida por meio de pesquisa, é da psicóloga e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Ângela Fátima Soligo.
Em sua pesquisa, a professora pediu aos entrevistados que atribuíssem dez adjetivos aos homens e mulheres negros. Nessa primeira fase, houve equilíbrio. Os pesquisados utilizaram adjetivos positivos para definir os negros, como competentes, alegres, fortes. Em seguida, eles foram estimulados a qualificar esses adjetivos, atribuindo-lhes características.

O resultado final revelou que a maioria dos entrevistados, aí incluídos também os negros, limita-se a reproduzir os chavões sociais. O negro é alegre porque gosta de samba e Carnaval, forte porque se dá bem nos esportes e competente para trabalhos braçais. "O adjetivo é positivo, mas o papel social ligado ao negro mostra um preconceito arraigado na nossa cultura", concluiu a estudiosa.

Mesmo nas exceções, a regra se confirmou. "Houve um entrevistado que disse que o negro pode ser um advogado competente, mas apenas para livrar outros negros da cadeia, isolando-os à condição de bandidos e marginais". A pesquisa reforçou a tese de que o brasileiro pratica um "racismo camuflado": em tese, diz que não tem preconceito, mas prefere limitar as possibilidades e potencialidades da raça negra. Por exemplo, na pesquisa, não houve identificação do negro com o intelectual ou o político.

Os dados da pesquisa foram semelhantes em todos os estados pesquisados, inclusive na Bahia - cuja capital, Salvador, tem população predominantemente negra e esta culturalmente ligada a tradições africanas. Ela apontou que o modelo, a conduta e a história dos brancos são mais valorizados em nossa sociedade. Com isso, os próprios negros acabam incorporando uma imagem negativa sobre sua raça.

O problema do racismo brasileiro é antigo. Tem início por volta do final do primeiro século de colonização, quando os portugueses constataram a impossibilidade de escravizar os índios. O negro, então, foi trazido à força para o país, para servir de escravo nas plantações de cana de açúcar. Independentemente da miscigenação, o negro e os mestiços sempre foram discriminados socialmente no Brasil.

A própria legislação brasileira, durante quase 500 anos, estimulou a discriminação e o preconceito. Nem após a abolição da escravatura e a proclamação da República, o negro deixou de ser discriminado. Só em 1988, com a promulgação da Constituição que está em vigor (art. 5º - inciso XLII), a prática do racismo passou a ser considerada um crime inafiançável e imprescritível.

Nazismo: um regime político racista
O Nazismo ou Nacional-Socialismo foi uma doutrina que exacerbava as tendências nacionalistas e racistas e que constituiu a ideologia política da Alemanha, durante a ditadura de Adolf Hitler (1939-1945). O pensamento nazista apregoava a superioridade cultural e racial dos alemães, que estariam vocacionados a impor-se sobre os outros povos da Europa. Elegeu como seus inimigos ideológicos o liberalismo e o comunismo, que estariam corrompendo as nações européias e pelos quais seriam os responsáveis o povo judeu.
Considerados como uma raça inferior, além de inimigos do regime, os judeus foram inicialmente discriminados e, depois, violentamente perseguidos. Não só na Alemanha mas em todos os países que foram dominados pelo nazismo, a partir de 1939, os judeus tinham seus bens confiscados pelo Estado e eram confinados em guetos. Com o início da guerra, passaram a ser utilizados como escravos. O ápice do projeto nazista para os judeus, entretanto, era a chamada "solução final", ou seja, o extermínio de todos os judeus europeus. Estima-se que seis milhões de judeus tenham sido massacrados pelo nazismo.

Vale, porém, lembrar que o furor do preconceito nazista não se restringiu aos judeus. Outros povos também foram perseguidos, como os ciganos, ou considerados inferiores, como os eslavos. O nazismo também perseguiu e confinou os homossexuais e chegou a instituir um programa de eliminação dos deficientes mentais da Alemanha.

A esse propósito, pode-se apresentar os diversos tipos de preconceitos sociais mais frequentes, deixando de lado o racismo, já suficientemente comentado:

a) Preconceito quanto à classe social:
Em geral, é a tendência a considerar o "pobre" como um ser humano inferior, em função de sua pobreza, para prevalecer-se dele. A diferença social não pode ser transposta para o plano intelectual ou moral. Neste último, em especial, todos os homens desfrutam e devem desfrutar de uma mesma dignidade.

b) Preconceito quanto à orientação sexual:
Atualmente, é cada vez mais reconhecido, inclusive no aspecto legal, o direito de o indivíduo se relacionar sexual e afetivamente com outro(s) indivíduo(s) do mesmo sexo. A escolha sexual não interfere no caráter e não é obstáculo ao desenvolvimento de qualquer atividade. A homossexualidade (homo = igual), porém, ainda é muito discriminada no Brasil, o que é um resquício da sociedade patriarcal e machista que o país foi até cerca de 40 anos atrás.

c) Preconceito quanto à nacionalidade:
Entre nós, brasileiros, é frequente tachar os portugueses de burros. Isso também é um vestígio do passado colonial: uma forma de nos vingarmos do povo que naquela época mandava em nosso país. Em São Paulo, no começo do século 20, devido à imigração, havia preconceito contra os italianos, chamados pejorativamente de "carcamanos". Na Argentina, há décadas atrás, os brasileiros eram chamados de "macaquitos", por supostamente imitarem as modas vindas dos Estados Unidos.

d) Preconceito contra deficientes:
Há uma grande diferença entre deficiência e incapacidade. No entanto, não é incomum que os deficientes sejam discriminados, particularmente em termos profissionais. Recentemente, o governo brasileiro tem desenvolvido políticas que visam a integrar o deficiente à sociedade e coibir a discriminação.

Finalmente, você pode estar se perguntando: tudo bem, já está muito claro o que é preconceito, como ele se origina e quais são seus tipos mais frequentes, mas a questão principal é como acabar com ele? Pois bem, veja a resposta dada pelo próprio Norberto Bobbio:

“Quem quer que conheça um pouco de história, sabe que sempre existiram preconceitos nefastos e que mesmo quando alguns deles chegam a ser superados, outros tantos surgem quase que imediatamente.
Apenas posso dizer que os preconceitos nascem na cabeça dos homens. Por isso, é preciso combatê-los na cabeça dos homens, isto é, com o desenvolvimento das consciências e, portanto, com a educação, mediante a luta incessante contra toda forma de sectarismo. Existem homens que se matam por uma partida de futebol. Onde nasce esta paixão senão na cabeça deles? Não é uma panacéia, mas creio que a democracia pode servir também para isto: a democracia, vale dizer, uma sociedade em que as opiniões são livres e portanto são forçadas a se chocar e, ao se chocarem, acabam por se depurar. Para se libertarem dos preconceitos, os homens precisam antes de tudo viver numa sociedade livre.”

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mais de metade dos jovens de 25 anos ganham menos de 500 euros


Mais de metade dos jovens até 25 anos e um quarto dos jovens entre os 25 e os 34 anos ganha menos de 500 euros, devido a empregos precários e de baixa qualificação. 51% dos jovens trabalhadores com menos de 25 anos têm um salário inferior a 500 euros, tal como 24,5% dos jovens entre os 25 e os 34 anos.

Segundo o documento, a que a Agência Lusa teve acesso, 40% dos jovens têm um contrato de trabalho a prazo e um quarto ocupa postos de trabalho de baixa qualificação, o que, juntamente com a elevada concentração em sectores de actividade com salários baixos, leva a que a maioria dos jovens tenha salários inferiores a 750 euros.

A análise feita aponta ainda como razão para os baixos salários entre os jovens a discriminação entre trabalhadores permanentes e precários, dado que os contratados a prazo ganham menos 25% por hora que os permanentes, diferença que no caso das empresas de trabalho temporário chega aos 40%.

Embora a precariedade atinja todas as camadas etárias (28,7% dos trabalhadores), são os jovens os mais atingidos, pois representam 57% do total dos precários.

Citando dados do Ministério da Solidariedade e da Segurança Social, o texto refere que em 2010 trabalhavam por conta de outrem 1,2 milhões de jovens entre os 18 e os 34 anos.

O emprego dos jovens está concentrado no sector dos serviços (68,3%) e na indústria (30,4%).

Entre 1998 e 2009, perderam-se mais de 160 mil postos de trabalho (42%) na indústria transformadora que eram ocupados por jovens.

Os jovens são também os mais penalizados pelo aumento do desemprego, em particular pelo desemprego de longa duração.

No início da década de 2000, os jovens desempregados representavam menos de quatro por cento do total de desempregados e em 2010 passaram a representar 19%.

O estudo vai ser divulgado num seminário sobre o estatuto laboral e social dos jovens promovido pela CGTP e resultou de uma colaboração entre o gabinete de estudos da central sindical e o ISCTE - Instituo Universitário de Lisboa.



Fiquei sabendo que o prefeito de Vitória, João Coser (PT), foi a Câmara de Vereadores, na última quarta-feira, ou seja, ontem (14), e que foi uma "lavação de roupa suja" para todo lado, principalmente entre os partidos que travam embate histórico: PT e PSDB. As tentativas de pegar o prefeito no caso das desapropriações servem directamente aos interesses dos tucanos e, agora, também ao grupo do ex-governador Paulo Hartung, sobre quem pairam as desconfianças de ser o responsável por botar o caso antigo a fundo.(alguém tinha dúvidas?)


A base de Coser revidou mais que depressa, questionando a CPI da Lama, criada para investigar fraudes em contratos na gestão de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), porém trancada em acção juridicamente truculenta do desembargador Álvaro Bourguignon, em favor dos interesses tucanos. O clima na Câmara sem dúvida foi uma prévia quente das eleições à sucessão de Coser. Na briga pela vitrine política que geralmente serve de caminho para o palácio, um verdadeiro vale tudo.

Vereador e mais três pessoas são presos por fraude em Aracruz

O vereador de Aracruz Gil Furieri (PMDB) - que foi novamente afastado do cargo nesta quarta-feira (14) - está entre os presos de uma operação policial realizada na manhã desta quinta-feira (15) na cidade. A filha dele, Cíntia Furieri, e outras duas pessoas também foram presas.

A acusação contra o grupo é de fraude na contratação de uma empresa que presta serviços de informática à Câmara de Aracruz. O contrato, que ainda está em vigor, foi firmado quando Furieri era presidente da Casa. A suspeita é de favorecimento à empresa, que seria de propriedade de Cíntia.

A empresa é a Speed TI - Consultoria, Desenvolvimento e Treinamento em sistema de informática LTDA. O processo licitatório nº. 93/2009 tinha por objetos a prestação de serviços de manutenção, configuração e instalação de redes de computadores, manutenção e instalação de servidores, hospedagem dos sistemas web e atualização do website.

Além de Furieri e da filha dele, os outros dois presos nesta quinta-feira são a servidora responsável pelo setor de licitações da Câmara, Renata Tavares, e o sobrinho do atual prefeito da cidade Ademar Devens, Marcio Devens. As mulheres foram levadas para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz e os homens para o CDP de Colatina. Uma pessoa, contra a qual também há um mandado de prisão, está foragida.

Fonte: CBN

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Participe da Greve no dia 24 de Novembro

Quando parte da população perde as suas garantias o que sobra do Estado de Direito?

Muitos pessoas trabalham horas sem fim. Trabalham aos domingos e aos feriados. Por menos que o salário mínimo. Não fazem férias, não fazem amigos, não fazem filhos, não fazem vida. Não existem para a segurança social Portuguesa. “Que força é essa que os faz obedecer?”, não é uma força, é um medo: vertiginoso e constante, servido pelo patrão à hora de picar o ponto. O desemprego, a desesperança de não ter um salário digno. E é esta mesma chantagem, que no dia-a-dia lhes baixa a cabeça, não lhes permite reivindicar o mais cru dos direitos do trabalho, e que, por mais que certas razões, os impedem de exercer um direito ainda maior, um direito de Democracia e Liberdade: o Direito à Greve.

No dia 24 de Novembro, quando parte do país parar para a greve geral, milhares e milhares estarão nos seus postos de trabalho sem que essa escolha lhes seja assegurada. E ao fim e ao cabo, não é a um Estado que se rege pelo direito e não pelo autoritarismo, que chamamos Estado de Direito? Será que continuamos num Estado de Direito Democrático quando o poder político nada faz para assegurar as suas expressões, aquilo que o caracteriza?
Se, no dia 24, muitas pessoas/precários não se interrogarem sob a subtração de um direito cívico e constitucional teremos, ainda mais, de nos interrogar sobre os alicerces que o Estado construiu para se manter. Mais do que desejar que os precários ranjam os dentes no trabalho, seria um apelo de coragem última, de um convite ao limite para que quem já não tem nada a perder:

Pessoas juntem-se à greve. Num tal momento de solidariedade, que a individualização trazida pela precariedade faz soçobrar, a economia tremeria e quem detém o poder financeiro haveria de assumir a existência daqueles que trata como não existente.

Aqueles que ainda podem fazer greve têm um papel crucial a desempenhar para não perderem esta arma: denunciem a precariedade, não a aceitem, juntem-se aos piquetes de greve, apoiem um dia de trabalho que transpire insatisfação. Afinal, se não podemos contar com este governo para garantir o Estado de Direito, teremos de ser nós a manter o direito que falta ao Estado.

Sara G.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Diante dessa violenta e provocatória declaração de guerra contra o Povo português, só nos resta lutar com todas as nossas forças contra tais medidas, pelo derrube do Governo e pela constituição dum Governo Democrático Patriótico. Pela Greve Geral Nacional!
Foi hoje! 15 de Outubro, dia de protesto global em nome da democracia. Milhões de pessoas foram as ruas em vários pontos do mundo, reclamando as suas vidas e o futuro colectivo. E já começou: no Japão, na Austrália, na Coreia do Sul, na Nova Zelândia ou nas Filipinas a indignação já juntou milhares de pessoas. Em Portugal, o 15 de Outubro também foi um dia de luta em várias cidades. Perante os ataques brutais à maioria da população, perante o sequestro da democracia em nome dos interesses de uma minoria privilegiada, apelamos a todas as pessoas para se juntarem aos próximos protestos.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Pessoas vendáveis!

Começo esse indignada e com perguntas que ainda não obtive respostas: Onde está a Lei que ajude o imigrante que contribui para este país que está de facto em crise? Sabemos que aqui existem muitos imigrantes de vários lugares e que se sujeitam por não saberem como agir, onde buscar informação, que se submetem por medo de serem mandados embora. Isso é uma vergonha. É preciso que nos unamos e façamos valer os direitos previstos pelas Leis Portuguesas que sabem que precisam de nossa mão-de-obra, que sabem que o nosso interesse não é burlar a lei, e sim, adquirir a legalidade para vivermos de maneira justa e honesta!

É importante ressaltar que alguns imigrantes já legalizados e que hoje habitam Portugal e posso afirmar "estão bem", são pessoas "abastadas", continuam subestimando o povo brasileiro? E até mesmo alguns portugueses fazem isso. Que vergonha!
Nós brasileiros somos tão hospitaleiros com estrangeiros, que não imaginamos como o nosso povo é o mal tratado, principalmente nos países que se dizem de primeiro mundo. é lastimável o caso de Portugal,que depois de nos colonizar, transferir todo o nosso ouro para a coroa, e nos fazer submisso por tantos anos, ainda continua tratando os brasileiros como se fossem escravos de suas colónias.

O motivo deste é mostrar minha luta com o que está acontecendo em Portugal com relação aos imigrantes sejam eles brasileiros, africanos, ucranianos e muitos outros que por aqui residem.
Desde que cheguei, e tive garantido por Lei três meses para poder ir e vir livremente no país ou em qualquer outro da Europa, tenho observado que existe um tratamento diferenciado com o povo que aqui vem tentar uma vida melhor.
Agora me lembro plenamente da fase de Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto "

E então vou contar-vos aqui mais uma vez a minha pequena história:

Trabalhei em uma empresa cujo nome e a SEA SPA também conhecida como "MAR MORTO" que esta estabelecida em Portugal há seis anos. Eles possuem quiosques nos Shopping Colombo, Amoreiras e Vasco da Gama. De seus quase 18 funcionários, apenas dois são portugueses, o restante são brasileiras que se sujeitam a trabalhar cerca de 7 a 14 horas diárias, com direito a apenas 30 minutos de parada para almoço. Muitas vezes, essas moças trabalham sozinhas, e portanto, não tem como ir à casa de banho, sair para beber uma água, ou um café sequer. Além disso, o proprietário, cujo nome é Yair, possui a empresa com o numero de contribuinte 509.667.449, seu galpão fica na Rua Fonte da Carreira, 350, ARM. B26- ADroana - Alcabideche, em Portugal. As notas fiscais de suas máquinas registradoras que são fornecidas aos clientes em sua maioria não constam o número do contribuinte, e aliás, pelo que me recordo nos meses que ali trabalhei, o único shopping que continha o numero do contribuinte era o Colombo, que no caso, é o maior Centro Comercial da Europa, muitas vezes, elas sequer são fornecidas aos consumidores.
Cada trabalhadora brasileira que entra ali, possui um treinamento de dois dias para aprender a abordar o cliente, elas entram com a promessa de contrato de trabalho após um mês de serviço. O que não é verdade. Eu por exemplo, trabalhei lá cerca de três meses esse ano de 2011, e no ano de 2010 quando cá estive trabalhei por cerca de dois meses. Nunca recebi esse contrato, bem como minhas colegas de trabalho. Também não ganhamos salário fixo, mesmo sendo o salário mínimo de praxe aqui em Portugal que é equivalente a 475€. Também não possuímos seguro de acidente de trabalho, nem subsídio alimentação proposto na Lei Portuguesa, ou seja, nós recebíamos apenas o que vendêssemos.(comissão)

Ao pedir demissão dessa "conceituada empresa", fui chamada para receber minha comissão pelas vendas dos meus três dias do mês de agosto trabalhados, e no contra-cheque (olerite), que sequer tem o número e o nome da empresa, é apenas uma folha de papel A4, havia um desconto de 100€. Ao perguntar porque do desconto, a gerente me respondeu que eu não tinha feito o aviso prévio. Agora olha que interessante, a empresa não me dá contrato, não existo para a Segurança Social de Portugal, e eles querem me descontar um dinheiro que eu vendi , ou seja, o salário quem faz somos nós , afinal ganhamos apenas comissão e não salário base.Como então me descontar aviso prévio?

O interessante é que após eu ter ido a ACT e ao Tribunal do Trabalho e também contratar uma advogada a Drª Celeste Castilho, esse mesmo senhor resolveu "calar a boca" de algumas ex- colegas e deu-lhes a quantia de 20 € para dar uma ajuda em uniformes, também como "caridade", ele assinou o contrato com algumas das meninas que lá estavam há quase um ano prestando serviços para empresa e pediu que elas me excluíssem do Facebook, o que elas fizeram imediatamente. Engraçado, pois não? O que será que essas meninas vão fazer com 20€? Comprar uma ou duas blusinhas pretas na loja do chinês? Será que elas, coitadas, não percebem que simplesmente estão a entrar no jogo desse senhor? Porque antes das minhas denúncias, essas minhas ex- colegas de trabalho, nunca tiveram auxílio uniforme? Porque antes de "colocar a boca no trombone", essas meninas não tiveram contratos assinados, e nem numero na Segurança Social? Sabem porque? Porque se deixam calar, porque são baratas, são vendáveis, e olha, 20€? Isso de facto pra mim, é uma vergonha, é falta de dignidade, falta de conhecimento...Bom na verdade, sem querer, mas, já fazendo um pré-julgamento, essas conterrâneas brasileiras, talvez sejam tão "obediente", porque ou nunca tiveram uma oportunidade melhor na vida, ou passaram muita fome enquanto criança e o cérebro não se desenvolveu, ou então, são pessoas que se vendem mesmo. Penso que se em vez de 20 €, elas tivessem recebido 10 €, fizessem a mesma coisa, sabem porque? Porque Educação, Caráter e Dignidade é algo que vem de berço... infelizmente poucos aprendem..Mas creio e espero que a vida lhes encarregue de ensiná-las.


Diante desses fatos, até quando o imigrante continuará a ser ilegal, visto que as Leis estão ai para serem cumpridas, e como podemos continuarmos ilegais num pais onde contribuímos com dinheiro ao fazermos nossas compras, ao pagarmos nossas moradas, quando vamos por exemplo, as juntas de Freguesia, ou as Lojas do Cidadão pedir uma atestado de morada para fins bancários ou outro qualquer, isso não é gratuito, aqui pagamos por tudo, para andar de metro, para comer, para beber água, e até para morrer.
Como podemos ser sujeitos a tamanha degradação humana, a sofrermos horários de trabalho além do normal, visto que a Lei Portuguesa é clara quando diz que ao entrar em um serviço o patrão não pode se negar a fornecer um contrato de trabalho, é obrigado a fornecer seguro acidente e outras coisas mais como subsidio alimentação?
Essa empresa Israelita sabe que o imigrante precisa de vestir, morar, comer, mandar dinheiro ao seu país de origem. Poucos são os que vêm para outro país apenas por diletantismo, a maioria de nós vêm por necessidade de começarmos uma vida com mais dignidade, uma maior oportunidade de trabalho, e o que eles fazem? Não nos dão salários dignos, nos extorquem da maneira que for possível, eles vêm para vosso país enriquecer as custas de imigrantes que se vêem obrigados a se sujeitar a tamanha humilhação, afinal, precisam sobreviver de uma maneira ou de outra.

Vamos ler minha gente, peguem esses 20 € e comprem a Constituição da República Portuguesa, faça valer o seu direito, não tenha medo, não se venda por tão pouco...posso até dizer que de repente, amanhã, vocês receberam outro "tipo" de oferta, alguém que pague mais, e ai a sujeira está montada...quem se vendeu por tão pouco, vai achar fácil fazer "todo o resto".... Vocês vieram aqui pra isso?
Que coisa feia! Isso também é uma forma de prostituição....